Outros tipos de picos de surf



O que vamos ver nesse artigo?

  • Point-breaks
  • Reef-breaks
  • Beach-breaks
  • Outros tipos de spots de surf

Nos artigos que escrevo sobre surf, sempre tento passar as melhores condições de vento e onda para cada pico. Acredito que alguns de vocês que leram esses artigos podem já ter passado pela situação do planejamento antecipando as condições corretas e, mesmo assim, o pico não funciona. Não me xingue ou diga que a adrenalina10 estava errada. Para fazer uma previsão de ondas decente, ondulação e vento nem sempre são suficientes.

No Brasil e em outros lugares, sempre ouvimos dizer que um determinado pico de surf não funcionou porque não tinha fundo. Mas por que esse cenário influencia tanto na qualidade e na frequência das ondas? Nem todo fundo influencia isso, mas listei os principais tipos abaixo para ajudá-lo a entender melhor.

Antes de iniciar os tipos de fundo, guarde a informação que as ondas sempre quebram onde há uma diminuição brusca de profundidade.

Point-breaks

Point-breaks são spots de surf que têm um fundo de rocha ou uma laje. Por serem completamente fixos, são muito mais consistentes do que outros tipos de fundos. Para funcionar bem, eles precisam apenas inchar na direção certa, tamanho e vento favorável.

maiores ondas do Brasil

Outra grande vantagem das quebras de pontos é o fácil posicionamento do surfista, já que as ondas quase sempre quebram no mesmo lugar. Não há necessidade de caçar as ondas. As quebras de pontos também geralmente têm um canal de entrada claro no pico, o que economiza muito esforço. A grande desvantagem desse tipo de fundo você pode saber quando cai de uma onda ou leva uma vaca, mas espero que isso não aconteça. =)

O Brasil conta com bons point-breaks em praias, como Matinhos no Paraná, Praia do Silveira em Santa Catarina, além de algumas lajes mais mar adentro, como a Laje de Jaguaruna, uma das maiores ondas do brasil‌ quando funciona.

Alguns picos bastante conhecidos no mundo também são point-breaks:

  • Rincon, em santa bárbara‌ – Califórnia
  • Honolua Bay, em Mauí – Havaí
  • Supertubes, em Jeffrey’s Bay – África do Sul
  • Chicama, no Perú
  • Snapper Rocks, em Gold Coast – Austrália

Reef-breaks

Os reef-breaks, bastante raros no Brasil, mas muito comuns no resto do mundo, são os picos de surf que possuem fundo de corais. Funcionam de forma muito parecida com os point-breaks, só muda mesmo a natureza do fundo. Também possuem bastante regularidade por depender apenas de direção e tamanho da ondulação e de ventos favoráveis.

Possui também as mesmas vantagens e desvantagens dos point-breaks: formação regular, geralmente na mesma posição, e canal de entrada, como pontos positivos, e coral raso, bastante cortante no fundo, como negativo.

Como eu citei, no Brasil são bem raros, com predominância no nordeste. Um exemplo é o scar reef na Bahia.

Em outras partes do mundo existe uma infinidade de reef-breaks famosos:

  • Teahupoo, no Tahiti
  • Cloudbreak, em Fiji
  • Pipeline, Backdoor, Off the Wall, Jaws e Sunset, no Havaí
  • Desert Point e Uluwatu, na Indonésia

Beach-breaks

A maioria dos picos de surf do Brasil é composta por beach-breaks, ou seja, picos com fundo de areia. Essa com certeza é uma das principais respostas pelo fato dos picos de surf serem tão irregulares e sem frequência por aqui.


Os beach-breaks podem quebrar clássicos, mas dependem não só de vento e ondulação, mas também da formação do fundo, já que a areia se move o tempo todo. Esse é um dos motivos pelos quais vários sites e aplicativos de previsão de ondas erram. É muito difícil prever como o fundo vai estar.

sites e aplicativos de previsão de ondas

Uma dificuldade dos beach-breaks é que a cada dia as ondas parecem formar em um lugar diferente na mesma praia. As vezes isso varia no mesmo dia e elas podem quebrar em vários lugares ao mesmo tempo. Por isso, nos dias grandes, se você está indo surfar em um beach-break, vá preparado para remar‌ e tomar séries na cabeça. No entanto, é muito menos desagradável tomar uma vaca em um beach-break do que em outros fundos.

Recentemente, vários picos de surf do Rio de Janeiro, como arpoador e barra da tijuca, ficaram um período longo sem surf. Depois de uma ressaca com ondulações de sudoeste, o arpoador e diversas valas voltaram a funcionar. Pegando o exemplo do arpoador, que é mais fácil de analisar, veja que a ondulação de sudoeste e a melhor para acumular areia no canto da praia, fazendo com que as ondas comecem a quebrar mais longe da beira:

picos de surf do Rio de Janeiro

Não vale muito a pena ficar citando exemplos de beach-breaks no Brasil, pois 90% dos picos de surf apresentam fundo de areia. Pensa em qualquer praia que você já tenha surfado. Se tinha fundo de areia, era um beach-break.

Existem alguns beach-breaks famosos no mundo:

  • Nazaré e Supertubos, em Portugal
  • Hossegor, na França
  • Bells Beach, na Austrália

Picos em Bocas de Rios

A foz de um rio no mar geralmente é um lugar onde acumula areia. Em alguns casos isso pode render bons picos de surf. O Brasil tem alguns bons exemplos, como a Guarda do Embau. Outros exemplos no mundo são mundaka na Espanha e merimbula bar na Austrália.

Picos em Naufrágios

Existem alguns exemplos de picos de surf no mundo – nenhum no Brasil, que eu saiba – formados pela diferença de profundidade da areia espalhada gerada por navios ou pedaços de navios naufragados. O principal exemplo é the wreck em New South Wales, na Austrália.

Picos em Quebra-Mares

O quebra-mar é uma estrutura parecida com uma muralha artificial ou natural a entrada de um porto, baía ou canal que tem como objetivo reduzir o impacto de ondas. Normalmente o fundo é de areia mesmo, o que muda é que a onda vem quebrando ao longo do quebra-mar. O Brasil conta com alguns picos de surf em quebra-mar, como Santos e Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Outros bons exemplos são Long Beach em Nova Iorque e The Wedge na Califórnia.

Picos com Fundos Artificiais

Em alguns lugares, para tentar fazer com que as ondas quebrassem mais longe da costa, evitando assim derrubar construções na costa, ou até mesmo apenas para formar ondas de maior qualidade, fundos artificiais simulando point-breaks foram implementados. Um dos melhores resultados até agora foi em Kovalam, na Índia.

No Brasil, recentemente, a prefeitura de Maricá no estado do Rio de Janeiro abriu licitação para a instalação de um fundo artificial. A ideia é seguir um modelo resultante de um estudo da COPPE (UFRJ) que será móvel e removível. O objetivo da cidade é bombar o turismo e o comércio na região. Tomara que dê certo e seja copiado em diversas praias como São Conrado (Rio de Janeiro) e Piratininga (Niterói).

Leia mais sobre o assunto.



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