Surf

Publicado em maio 18th, 2015 | por Filippo Ghermandi

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Como funciona o Campeonato Mundial de Surf?

Veja também: Os 11 picos de surf do WCT, o Campeonato Mundial de Surf

O histórico do surf no Brasil é bastante longo. Alguns dizem que começou na década de 40, outros 50, teve sua profissionalização na década de 80 e finalmente parece que caiu nas graças dos brasileiros através das boas performances do brazilian storm – apelido dado a geração brasileira talentosíssima que hoje compete no Campeonato Mundial de Surf (World Tour Championship), a elite do surf mundial.

Quando eu comecei a acompanhar o surf, sabia quem estava liderando o ranking e em qual etapa estava, mas faltava entender a competição como um todo. Como são escolhidos os atletas? Quem tem chances de vencer? Sempre me perguntava “como funciona o Campeonato Mundial de Surf, famoso WCT?”.

Depois da etapa do Rio de Janeiro, – Oi Rio Pro 2015 – vencida por Felipe Toledo no dia 17 de maio de 2015, com uma festa incrível de milhares de brasileiros de todos os lugares, resolvi escrever este post para explicar detalhadamente o funcionamento do tour para quem finalmente se rendeu ao surf, mas ainda não entende 100% das regras.

Qual o formato do Campeonato Mundial de Surf (WCT?)

O WCT (World Championship Tour) é a elite do surf mundial, como se fosse o Campeonato Mundial de Surf, e é organizado pela WSL, World Surf League. Ocorre todo ano e é disputado pelos 34 melhores surfistas do ano anterior em um formato parecido com a Fórmula 1. São 11 eventos ao longo do ano, pelo menos esta é a previsão para 2015, e em cada evento os surfistas acumulam uma pontuação dependendo de sua posição final no evento. No final do ano, a pontuação de cada surfista nos 11 eventos é somada, descartando-se as 2 piores pontuações. O mais bem colocado no ranking é considerado o campeão mundial.

Qual o formato de cada etapa do Campeonato Mundial de Surf (WCT)?

Apesar do formato semelhante, o surf é diferente do tênis ou da fórmula 1, pois depende das condições climáticas corretas para que uma etapa ocorra. Por este motivo, as etapas não tem datas certas para ocorrer, mas sim janelas de tempo, nas quais as disputas são travadas nos dias de melhores condições. A etapa do Rio de Janeiro de 2015, por exemplo, estava prevista para ocorrer entre os dias 11 e 22 de maio, mas acabou no dia 17.

Cada etapa conta com os 34 surfistas do tour e mais 2 convidados, conhecidos como wildcards. Os 36 atletas disputam o tão sonhado título da etapa round a round, conforme explicação abaixo:

Round 1 (não eliminatório) – Os 36 atletas são divididos em 12 baterias com 3 atletas cada. O vencedor de cada bateria avança para o round 3 e os outros dois surfistas disputam o round 2 (repescagem).

Round 2 (repescagem – eliminatório) – Os 24 atletas que não avançaram direto para o round 3 disputam a repescagem em 12 baterias de duelos diretos. O vencedor avança para o round 3 e o perdedor vai embora para a casa.

Round 3 (eliminatório) – Os 12 surfistas que venceram o round 2 se juntam aos 12 vencedores do round 1. Assim como no round 2, os 24 atletas remanescentes são divididos em 12 baterias homem contra homem e quem perder está eliminado.

Round 4 (não eliminatório) – Os 12 surfistas que sobreviveram ao round 3 são divididos em 4 baterias com 3 atletas cada. Os 4 vencedores estão garantidos nas quartas de final. Os 8 que não vencerem suas baterias disputam a quinta etapa.

Round 5 (repescagem – eliminatório) – Os 8 surfistas que perderam suas baterias no round 4 são divididos em 4 baterias de duelos diretos. Quem perder está fora e quem ganhar avança para as quartas de final.

Quartas de Final – Os 4 vencedores do round 4 e os 4 vencedores do round 5 se enfrentam diretamente em 4 baterias nas quartas de final. Os vencedores estão na semi final e os perdedores estão eliminados.

Semi-Final – São duas baterias homem contra homem formadas pelos vencedores das quartas de final. Os dois vencedores estão na final. Os dois perdedores são eliminados em uma posição honrosa na etapa.

Final – A etapa é decidida em um confronto direto através de uma bateria homem contra homem na água.

A pontuação é distribuída dependendo da fase na qual o surfista é eliminado e funciona da seguinte forma:

Como funciona o Campeonato Mundial de Surf (WCT)? Conheça a pontuação de cada etapa

 

Regras e Baterias

As baterias geralmente duram 30 minutos, mas podem ter esta duração ampliada, caso as condições do mar não estejam boas, possibilitando que os surfistas tenham a chance de pegar mais ondas. Os surfistas podem pegar no máximo 15 ondas por bateria, sendo que apenas as duas melhores são computadas na nota final.

Existe um sistema de prioridade nas baterias, tanto nas com 2 quanto nas com 3 competidores. O surfista que chegou primeiro no outside tem a prioridade de pegar a primeira onda, se ele quiser exercer. Desta forma, se o surfista com prioridade remar na onda e entrar nela, os outros surfistas devem sair da onda sem atrapalhá-lo. Caso a prioridade não seja respeitada, o surfista que causou a interferência será penalizado com a anulação da segunda maior nota dele, computando apenas uma onda na nota final.

Para cada onda, o grupo de 5 juízes atribui suas notas segundo os critérios abaixo:

– Compromisso e grau de dificuldade
– Inovação e progressão das manobras
– Combinação das principais manobras
– Variedade de manobras
– Velocidade, potência e fluxo

Cada juiz dá sua nota e a melhor e a pior são cortadas. A média entre as 3 notas restantes é a nota final da onda surfada pelo atleta.

Escala considerada na atribuição das notas:

[ 0.0 – 1.9: Fraca ]  [ 2.0 – 3.9: Justa ]  [ 4.0 – 5.9: Regular ]  [ 6.0 – 7.9: Boa ]   [ 8.0 – 10.0: Excelente]

 

Etapas Previstas para 2017

1) 12/3 a 25/3 – Quick Silver Pro Gold Coast – Queensland – Austrália – Atual campeão: Matt Wilkinson (AUS)

2) 29/3 a 09/4 – Drug Aware Margaret River Pro – Western Australia – Austrália – Atual campeão: Sebastian Zietz (AUS)

3) 12/04 a 24/04 – Rip Curl Pro Bells Beach – Victoria – Austrália – Atual campeão: Matt Wilkinson (AUS)

4) 09/5 a 20/5 – Oi Rio Pro – Saquarema (RJ) – Brasil – Atual campeão: John John Florence (EUA)

5) 04/6 a 16/06 – Fiji Pro – Tavarua – Ilhas Fiji – Atual campeão: Gabriel Medina (BRA)

6) 12/7 a 23/7 – Corona Jay-Bay Open – Jeffrey’s Bay – África do Sul – Atual campeão: Mick Fanning (AUS). Ele voltou, competiu e ganhou um ano depois do incidente com um tubarão que não deixou feridos na final.

7) 11/8 a 22/8 – Billabong Pro Tahiti – Teahupo’o – Tahiti – Atual campeão: Kelly Slater (EUA)

8) 06/9 a 17/9 – Hurley Pro at Trestles – San Clemente (California) – Estados Unidos – Atual campeão: Jordy Smith (AFS)

9) 07/10 a 18/10 – Quiksilver Pro France – Landes – França – Atual campeão: Keanu Asing (EUA)

10) 20/10 a 31/10 – MEO Rip Curl Pro Portugal – Peniche/Caiscais – Portugal – Atual campeão: John John Florence (EUA)

11) 08/12 a 20/12 – Billabong Pipe Masters – Banzai Pipeline – Havaí – Atual campeão: Michel Bourez (Tahiti)

Todas as etapas do Campeonato Mundial de Surf (WCT) são transmitidas ao vivo, pelo site da WSL, gratuitamente, e com narração em português.

 

Dificuldades do Campeonato Mundial de Surf (WCT)

Quando o campeonato mundial de surf foi criado, ele possuía um objetivo claro: colocar os melhores surfistas do mundo para surfar as melhores ondas do mundo. Isso está ocorrendo até hoje? Há controvérsias… É muito discutível, por exemplo, que a praia da barra da tijuca, palco até ano passado, tenha uma das melhores ondas do mundo. Ou que Nova York, sede de uma etapa do evento em 2011 tenha uma das melhores ondas do mundo.

Mas o que essas duas cidades têm em comum? Ambas são centrais e muito populosas. O evento Oi Rio Pro dos anos em que foi na barra, mostrou o potencial de marketing do surf no Rio de Janeiro. Ou seja, a WSL fica em uma situação difícil: colocar mais eventos em lugares como Fiji, Teahupoo ou Saquarema, com ondas perfeitas, mas isolados do mundo? Ou no Rio de Janeiro e Nova York, com ondas medianas, mas muita publicidade? Essa com certeza é uma das grandes pautas que são discutidas ano após ano dentro da WSL.

Outro problema que o Campeonato Mundial de Surf vivenciou em 2015 e que foi inédito na história foi o primeiro “ataque” de tubarão ao vivo na final do Jay-Bay Open. Um tubarão branco de cerca de 2,5m se aproximou do surfista tricampeão mundial Mick Fanning e algo muito ruim poderia ter acontecido se o garotão tivesse dado a famosa mordida teste. Graças a Deus, nada aconteceu e o atleta saiu 100% ileso da interação com o animal, por isso as aspas em “ataque”.

A etapa da África do Sul não é a única passível de um ataque de tubarão. Sabemos que a Austrália, com 3 etapas, a Califórnia, com 1 etapa, e o Havaí, com 1 etapa, são lugares com ataques pelo menos anuais. A WSL discute formas de prevenir os surfistas dos ataques, seja com o shark shield, conhecido como repelente de tubarão, que emite ondas eletro-magnéticas na água, ou com redes, barcos e mergulhadores, mas a sensação que dá é que eles estão esperando acontecer algo mais grave antes de serem mais incisivos nisso.

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Sobre o Autor



  • hp

    Muito esclarecedor, bom texto!

    • Filippo Ghermandi

      Obrigado, hp!

      • Andy Alves

        Filippo me Ajuda por favor Pessoal me Ajuda Nisso
        suponha hum Projeto demande hum Investimento de R $ 12.000,00, Feito EM Duas Etapas Mensais, de R $ 6.000,00:
        hum Mês apos o inicio das Atividades
        . Dois Meses apos ESSA Primeira Ocorrência
        considerá , ademais, Que o Projeto ofereça Retornos AO FINAIS de Seu Desenvolvimento (n.º 6 MES) de R $ 15.000,00.
        calculé hum VPL e qua seria hum SUA decisão (OU Recomendação) para o Desenvolvimento, Se a taxa de atratividade esperada fosse de 5% mes AO.
        NÃO entendi nada Como Fazer ESSA Resolução, que responde consegue ESSA Questão por favor.

        • Filippo Ghermandi

          Andy, você está em um blog sobre esportes radicais… tem certeza que você postou no lugar certo? =)

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