Longboard Bruno Brown, membro da primeira geração de skatistas do Brasil

Publicado em fevereiro 25th, 2016 | por Eduardo Teles

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A História do skate no Brasil

A História do skate no Brasil surgiu na segunda metade da década de 1960, a galera que começava a se aventurar nas calçadas e paralelepípedos era influenciada pela revista surfer. O skate da época era chamado de “surfinho”, fazendo uma clara referência na relação entre as manobras nas ondas do mar e as do asfalto. Nos primeiros anos, era algo bem improvisado, usava-se uma madeira qualquer, com rodas de patins pregadas.

A História do skate no Brasil: primeiros skates improvisados

Cesinha Chaves conta que sua trajetória na História do skate no Brasil começou em 1968, suas duas paixões eram uma São Conrado de 9’8”, e um Nash Sidewalk Sulfboards de 24”. Na época, Cesinha trabalhava com o surf na cidade de Saquarema, e em uma de suas viagens para o Rio de Janeiro adquiriu um skate com rodas de massa (Clay Weels) e madeira laminada, de um dos filhos do embaixador norte americano no Rio. O “garoto” costumava praticar o esporte na fortaleza de São João, na Urca, já Cesinha preferia usar seu skate no Arpoador, um dos pontos mais importantes da História do surf no Rio de Janeiro, onde aquecia para em seguida cair no mar com sua prancha de surf.

Outras figuras de destaque na introdução do esporte no Brasil, são os irmãos Marcelo e Luizito Neiva, Marcelo ‘Bruxa’, Alexandre ‘Gordo’ e Erivaldo de Souza ‘Maninho’, que com seus Cadillac Kid desciam as ladeiras da Maria Angélica e Cedro no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Já em São Paulo, o point favorito dos skatistas eram as ladeiras do Sumaré e do Morumbi.

A História do skate no Brasil: grupo de skatistas

Os primeiros campeonatos da História do skate no Brasil

Um dos marcos da consolidação do skate como atividade esportiva foi o primeiro grande campeonato realizado na Quinta da Boa Vista (Rio de Janeiro), em novembro de 1975.  Ainda não existiam pistas apropriadas para o esporte, e a competição aconteceu nas ruas. Dentre as manobras, tinha a clássica cavada no asfalto (com o skatista agachando ao máximo em poses performáticas), handstand (“bananeira” sobre o skate), nose-wheelis (rolamento de proa sobre dois skates), high jump (salto em altura), barrel jump (salto em distância) e footwork.

Como podemos ver na imagem, o uso de tênis não era obrigatório aos praticantes do skatismo, e na maioria das vezes, tanto esportistas quanto o público usavam camisas colorias, shorts curtos, e não muito largos. O primeiro campeonato veio acompanhado de duas importantes inovações para o esporte, são elas: o eixo Tracker Trucks, que, mais largo, possibilitava melhores curvas; e as rodas Road Rider que com seus rolamentos de porcas auto travantes substituíram as bilhas soltas.

No ano seguinte foi realizado o primeiro Campeonato da História do skate no Brasil, com dimensão nacional, organizado pela Waimea Surf Shop, no Clube Federal do Rio de Janeiro. O campeonato teve 34 inscritos, divididos em duas categorias, a sênior, vencida por Flávio Badenes, e a júnior, vencida por Mário Raposo. A maioria dos skates eram importados, e de marcas variadas: Bahne, Super Surfer, Cadillac, Hang Tem; mas também existiam marcas nacionais, como o Torlay, o Bandeirante e o RK.

Os skatistas dominam as ruas e as pistas

Com o crescimento da prática do skate e a falta de espaços apropriados, os jovens acabavam buscando por conta própria os melhores lugares, ocupando as ruas com suas tribos, estilo, e modo extrovertido sobre rodas. Nesse momento, a imprensa não especializada começava a noticiar os acontecimentos envolvendo o esporte, e um fato noticiado pela revista Manchete, em 1976, mostrava a tentativa de policiais em impedir a prática do esporte no bairro do Morumbi, em São Paulo.

Sem títuloj A História do skate no Brasil: Jovens praticando freestyle em São Paulo

Ao mesmo tempo em que o esporte era mal visto em algumas regiões do país, em outras ele ganhava espaços apropriados, como em Nova Iguaçu (Rio de Janeiro), onde foi inaugurada, em 1976, a primeira pista de skate da América Latina, que contava com dois bowls de cerca de 20° de inclinação. A nova estrutura propiciou uma revolução nacional na prática do esporte, que passava a deixar de lado o estilo livre, passando a incorporar o estilo ‘bowlriding’. No ano seguinte, a pista sediou o primeiro campeonato de pista da História do skate no Brasil. A arquitetura da pista era fortemente influenciada pela Revista Skateboarder, que mostrava em suas páginas como o esporte era praticado nos Estados Unidos, em pistas, ou piscinas vazias, com manobras como: berts, batidas, um e meio (360º e meio na transição) e bastante velocidade.

Novas pistas foram surgindo por todo o país: Clube Regatas Flamengo (Rio de Janeiro) e Alphaville (São Paulo), em 1977; Wave Park (Santo Amaro), Jacarepaguá (Rio de Janeiro), Mooca (São Paulo) e Jurêre (Santa Catarina), em 1978; entre outras. E existia toda uma mídia especializada no esporte: um canal de TV a cabo, o Jornal do Skate, Wave Park, Revista Brasil Skate e Revista Esqueite.O final de década de 1970 marcou o apogeu do esporte, que passou a contar com mais infraestrutura e aperfeiçoamento dos equipamentos, dos meios de difusão e da organização dos campeonatos.

O primeiro grande tombo da História do skate no Brasil

Mas alguns anos depois, o esporte sofreu uma decadência de público, fechamento de pistas e diminuição de investimentos, a crise favoreceu ao estilo livre, e a retomada de folego do esporte aconteceria alguns anos depois, a partir de 1984. Contribuindo para a decadência na prática do skate, as novas modas nacionais, a bike e o patins, passaram a atrair a atenção do público e dos investidores, que interessados em lucrar, passaram a investir na produção de artigos para os novos esportes. Outro símbolo do esfriamento da febre do skate, foi o fato da Revista Skateboarder’s Action Now15, deixar de publicar matérias exclusivamente sobre eskatismo, e o skate passava a dividir as páginas com artes marciais, surf, BMX, entre outros.

Mesmo assim, os verdadeiros amantes do esporte não abandonaram as manobras no asfalto, com o fechamento das Waves Parks, marco da modalidade vertical, o estilo freestyle ganhou novo folego. Com a inauguração do complexo Wave Cat, em São Bernardo do Campo, em 1980, antigos e novos adeptos do skate encontram um espaço exclusivo para suas manobras. Nomes como Marcelo Neiva, Ricardo ‘Barbeiro’, Cesinha Chaves, Alexandre ‘Minhoca’, ‘Aladim’, ‘Vitchê’, Tchap Tchura, formavam a primeira geração, enquanto que novos praticantes, como Osmar Fossa, Sérgio ‘Negão’, ‘Fraldão’, George Rotatori, Ari Jumonji, Edu Britto, ‘Anjinho’, Felipe ‘Banana’, garantiram a continuidade nacional da paixão pelo esporte. O início da década de 1980, teve poucos campeonatos, sendo os principais o da inauguração da Wave Cat, em 1981, do Itaguará Country Club, em Guaratinguetá, e o de Dowhill e Longboard, no Morumbi, no ano de 1982. Ainda no ano de 1982, aconteceu um Campeonato de Freestyle, no pavilhão do Ibirapuera, onde ocorreram as primeiras aproximações com o estilo SkateStreet, que marcaria a década, com suas manobras de guias.

O skate ganha novo fôlego no gosto nacional

No ano de 1983, surgiu o primeiro tênis da História do skate no Brasil, o Mad Rats, idealizado e fabricado por Marcio Tanabe e Duarte Yura, que também praticavam o esporte. O número de campeonatos foi aumentando durante toda a década, e em 1984, surgiram os vídeo clipes de skate da marca Powell Peralta.

O modo como as pessoas andavam de skate por todo o mundo passou a ser divulgado através desses vídeos, e os halfpipes de madeira viraram a solução para quem pretendia andar na vertical, e qualquer lugar era lugar para o skate, terrenos baldios e fundos de quintais passaram a abrigar pistas. O esporte ganhou ainda mais repercussão com o lançamento do programa “Vibração”, no Rio de Janeiro, apresentado por Cesinha Chaves.

A História do skate no Brasil: pista de skate improvisada em terreno abandonado half-da-tranmição-sbc-300x278

Neste mesmo ano, 1984, surgiu a primeira revista especializada de skate dos anos 80, a Overall, editada em São Paulo, e em 1986, surgiu a segunda revista, a Yeah!. A expansão do esporte continua, e tem um novo marco na História do skate no Brasil, o fortalecimento do maior fabricante de skate, a H-Prol e a fundação da União dos Skatistas e Empresários. No ano de 1988 surge a União Brasileira de Skate e a realização do Sea Club Overall Skate Show (skate e show simultâneos), com a participação de convidados internacionais, à medida que o esporte crescia, um fato inusitado acontece.

O Prefeito Jânio Quadros proíbe a pratica do esporte em São Paulo, no ano de 1988. Mas isso não impediu que o esporte continuasse crescendo, e o ano seguinte foi marcado por um recorde de eventos, com destaque para a Copa Itaú de Skate, que contou com a presença dos americanos Micke Alba, Mark “Gator”, Joe Johnson e Ken Park. Esses foram os pontos principais do cenário que originou a terceira geração do esporte, formada por Márcio ‘Tarobinha’, Ricardo ‘Pingüim’, Rodil de Araujo Jr. ‘Ferrugem’, Fabio ‘Chupeta’, Rodrigo ‘Digo’ Menezes, Alexandre Viana, Marcelo ‘Just. Os novos praticantes aderiram ao Freestyle na modalidade Street, e iniciaram o processo que deu “a cara” do esporte nos dias atuais.

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