Bike bmx

Publicado em julho 12th, 2016 | por Gustavo Meirelles

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BMX Bike – A sigla da liberdade

Bike BMX

Este é o momento para conhecer o que é mais do que um esporte, um estilo de vida: o BMX.

 

Ele começou no inicío dos anos 1970 e sua sigla vem do inglês Bicycle (B) Moto (M) Cross (X). Essa sigla resume perfeitamente o estilo radical dessa prática, que consiste em manobras de pura adrenalina sobre duas rodas, em pistas de corrida totalmente improvisadas e que, em boa parte, são carregadas por muita terra.

 

Estamos diante de um movimento que foi impulsionado, principalmente, pela admiração das crianças com seus ídolos: tudo isso por que o BMX foi muito impulsionado pelo desejo do público, composto por adolescentes, em repetir as manobras que passavam na televisão de grandes motociclistas da época. Ao invés de motos e pistas especializadas, elas tinham bicicletas e obras inacabadas de asfalto e concreto, que passaram a ser o cenário de suas experimentações. As crianças eram favorecidas pela existência de bicicletas que já permitiam uma flexibilidade maior de movimentos, como as da marca Sting Ray, criada na década anterior graças à popularidade de desenhos animados cujos personagens faziam manobras extravagantes sobre duas rodas. Era como se essas marcas já houvessem previsto a revolução que estava para acontecer nas mãos da garotada.

 

Ao longo dos anos 70, as manobras improvisadas com as bikes começaram a aumentar nos subúrbios americanos, o que se tornou mais massificado graças ao documentário On Any Sunday, de 1971, que era sobre motociclismo mas cuja abertura mostravam crianças imitando seus motociclistas preferidos com suas bicicletas. Em 1974, houve a criação da National Bicycle League, ou NBL, uma entidade sem fins lucrativos elaborada para organizar a prática no país, sendo procedida pela American Bicycle Association e pela International BMX Federation, que passou a coordernar as principais competições do esporte mundo afora.

bmx federation

Ao longo dos anos, houve a criação de marcas de bicicletas mais específicas da área, com a Sting-Ray ganhando sua versão atualizada com a marca Scrambler, em 1975, cuja proposta de design era mais pesada e mais voltada às competições que começavam a aparecer. A Monareta Kross e o que viria a ser o lendário BMX Tanquinho também são dessa época. No Brasil, a Caloi também fez muito sucesso ao lançar a sua “Berlineta” a preços populares, além da Caloicross conhecida como “Geração 80”, graças ao programa da Rede Globo que promovia o BMX por meio das suas pistas de Bike, Skate e Patins em que esportistas da época apresentavam suas manobras.

 

No Brasil, Belo Horizonte foi, durante muito tempo, a capital do BMX, com suas pistas pioneiras : a Anchieta (1978) e a Nova Floresta (1981) funcionam até hoje e são conhecidas como bowl, já que possuem o formato de uma bacia (que recebe aquele nome em inglês). Imitando as pistas tradicionais do esporte, as bowls permitem movimentos versáteis, tanto de Vertical como de Street (saberemos a diferença logo a seguir!).

 

Finalmente, temos a inclusão do BMX nas Olimpíadas em 2008, e Märis Strombergs (por Letônia) e Anne-Caroline Chausson (pela França) foram os primeiros medalhistas masculino e feminino, respectivamente.

 

Categorias do BMX

 

O BMX está dividido em duas partes, cada uma com suas próprias modalidades:

 

1.Race (corrida):

comparado ao freestyle, é o que tem aproximação maior com o motocross. Geralmente, as pistas de corrida possuem uma extensão de 300 ou 420 metros, com esquinas que são largas, e dessa forma, contribuem para manter a velocidade dos esportistas.

Há dois principais tipos de bicicleta para corrida: A primeira é a de aro 20, comum entre atletas de altura menor ou mediana, sendo portanto a mais usada. A segunda é a Cruiser, de aro 20 para cima, que são mais populares entre praticantes mais velhos, mas está se popularizando cada vez mais, já que proporciona saltos e maiores, enquanto as de aro 20 proporcionam mais agilidade.

 

A corrida de BMX é individual, mas em muitas competições há a formação de equipes, por camarandagem ou por motivos de negócios ou patrocínio. Essa modalidade é conhecida pela flexibilidade de seus praticantes, que além das corridas com a bicicleta, frequentemente transitam para o universo do motocross e de outras modalidades com as bikes.

 

Nessa modalidade, há varios tipos de saltos de BMX, que vão de pequenos giros a duplos alucinantes. Os duplos variam de seis a doze metros, enquanto os saltos “class” possuem várias etapas, com uma quantidade maior de saltos.

 

Vamos apresentar alguns componentes que costumam estar nas pistas de BMX race:

 

* Starting hill

O Starting Hill é uma das rampas mais comuns para o começo das races. Ela contém um pequeno portão que é derrubado no começo da competição, e é geralmente o momento em que o esportista vai adquirir a velocidade que usará durante o resto da corrida. Geralmente, quanto maior a rampa, mais rápida a velocidade envolvida, o que explica o fato das profissionais serem muito diferente das amadoras.

 

* Step-up

É o tipo de race em que há uma rampa mais curta na pista a ser procedida por uma muito maior.

 

* Berms

São curvas que estão sob um certo ângulo de forma que a velocidade da bike aumenta ou se mantém, possuindo um formato próximo ao de uma tigela.

 

* Dupla

Como o nome pode deduzir, é quando temos duas rampas próximas e de mesmo tamanho.

 

* Step-down

Oposto da step-up: quando a race possui uma rampa seguida por uma mais curta.

 

* Roller

Quando a race contém um grupo de rampas menores.

 

* Panettone

Uma modalidade de salto que normalmente é praticada pelos iniciantes.

 

2 Freestyle (estilo livre):

 

É o estilo que enfrentou mais altos e baixos, mas que ganhou mais popularidade nas últimas décadas. A freestyle tem um impacto pelas apresentações visuais e dinâmicas que costumam proporcionar ao seu público, com o esporte atingindo um status quase artístico.

 

Há cinco modalidades dentro da própria freestyle: street, park, vertical, dirt jump e Flatland.

 

* Flatland

 

Aqui estamos falando de leveza e equilíbrio, além de muita concentração. Se as outras variáveis da Freestyle tem seguidores que também se enveredam por outras modalidades, aqueles que praticam a Flatland raramente usam outra técnica, visto que são muito dedicados. A prática ocorre em terrenos mais planos e suaves, como o concreto de um estacionamento ou de uma quadra de basquete. As bicicletas geralmente são mais reforçadas já que os praticantes ficam nas armações, com uma distância de eixos menor do que a normal, pois facilita que a bicicleta gire ou mude de posição. Os praticantes vão escolher se usam apenas o freio dianteiro, o freio traseiro, ambos freios ou nenhum deles, depende do seu estilo de preferência.

 

* Street

 

Como o nome já diz, estamos falando de uma modalidade do freestyle puramente urbana, praticado nas ruas ou em rampas que tragam essa ideia, com corrimões, escadas, e etc. É um estilo muito livre e pode transitar para outras categorias do freestyle.

 

* BMX Park

 

Pode ser considerado um estágio avançado do Street, já que suas rampas são muito parecidas com o estilo urbano, com um formato próximo ao Skateboarding (não é à toa que muitas instalações dos skakistas são usados pelos praticantes dessa variante da BMX). As rampas podem ser feitas de madeira, concreto ou metal, e dependendo do material haverá uma influência no estilo: rampas de madeira são mais adequados para movimentos mais suave e contínuo, voltados para o ar; e para aqueles que preferem o concreto o estilo será movimentado mais para o chão, com vários obstáculos.

 

* Vertical (Vert Ramp)

 

A rampa possui um formato de “U”, e as manobras são feitas nas suas laterais e fora dela (os famosos aéreos). A intenção aqui é alcançar altos graus de dificuldade em posições muito elevadas, antes de um retorno eletrizante a cento e oitenta graus. As rampas têm entre dois metros e meio a cinco metros. Possui uma versão de estilo menor chamada de Mini Ramp.

 

*Dirt Jump

 

Rampas de terra, alturas e distâncias variáveis: são as principais características dessa vestente, cujas manobras são audaciosas estão evoluindo para outras ao longo dos anos, como a double back flip e a 360º backflip. A seguir mostramos alguns truques de ar que são muito comuns nessa modalidade:

 

  • Superman: No ar, o praticante tira o pé da bicicleta e estende as pernas para o ar como se estivesse voando à maneira do super-herói.
  • Superman seat grab: Uma variante do anterior, já que aqui o praticante também tira as mãos do guidão enquanto executa a mesma posição do movimento já mencionado.
  • Barspin: O praticante gira o guidão da bicicleta em uma intensa rotação enquanto está suspenso no ar.
  • Tailwhip: O praticante joga a bicicleta para o ar, fazendo com que ela faça um rápido giro em 360 graus enquanto o próprio manobrista está suspenso no ar, segurando a bicicleta apenas no guidão. No ar, o praticante volta para o assento da bicicleta antes que voltem para o chão.
  • Decade: O praticante se joga fora da bicicleta, quando ambos estão no ar, e com apenas as mãos presas no guidão faz um movimento de modo que tanto ele como a bike rodopiem no ar, mesmo estando praticamente separados.
  • Backflip: Tanto o ciclista como a bicicleta giram como se estivessem dentro de uma montanha-russa seguidas vezes, no ar, o praticante começando o movimento com um rodopio sentido anti-horário.
  • Frontflip: O mesmo movimento anterior, mas dessa vez em direção oposta, para frente (sentido horário).
  • Flair: Both rider and bike do a backflip combined with a 180, to land facing back down the ramp. Usually performed on a quarter pipe.
  • 180°: The rider and bike spin 180° in the air and land backwards, in what is called fakie (riding backwards).
  • 360°: Tanto o ciclista como a bicicleta giram em um ângulo de 360°.
  • 540°: O ciclista e a bicicleta giram em um ângulo de 540 graus.
  • X-up: Durante o salta, o praticante gira as barras em ao menos 180 graus, de forma que os braços e as mãos, cruzados, voltem-se para trás.
  • Can can: No momento do salto, o ciclista abre a perna rapidamente.
  • No-footed can: A mesma ideia do movimento anterior, com a diferença de que as pernas ficam suspensas no mesmo lado e para a frente.
  • Tire grab (agarra-pneu): Durante o salto, o praticante literalmente agarra o pneu frontal.
  • Tobogã: O praticante tira uma das mãos do guidão e agarra o assento que deixou vazio por estar suspenso no ar, e antes que a bicicleta volte para a terra, ele retorna a mão para o guidão enquanto volta a sentar.
  • Tuck no Hander: O salto ocorre com todo o corpo sobre a bicicleta (sem que os pés saiam do pedal), e o praticante tira as mãos do guidão.
  • Crankflip: A roda dianteira fica suspensa, o praticante gira rapidamente os pedais enquanto está suspenso do assento.
  • ET: O praticante está suspenso no ar com a bicicleta e movimenta o pedal como se pudesse pedalar longe da terra.
  • TE: É basicamente o movimento do ET, mas o pedal é girado de modo contrário.
  • Bikeflip: Por um segundo, bicicleta e ciclista ficam suspensos no ar tendo como um único contato uma das mãos no guidão, sendo que, no momento do salto, a bicicleta recebe um giro de quase 360 graus.
  • Half cab: Com uma pressão extra sobre o pedal, o ciclista movimenta a bicicleta de modo a fazer com que ela realize pequenos giros seguidos de 180 graus.
  • Full cab: Com uma pressão extra sobre o pedal, o ciclista movimenta a bicicleta de modo a fazer com que ela realize pequenos giros seguidos de 360 graus.
  • 540 cab: O esportista gira a bicicleta em posição erguida, com os pés exercendo uma forte pressão no perdão. O giro é de 540 graus, por isso o nome.
  • Nothing: Aqui o esportista suspende no ar, ao mesmo tempo, os braços do guidão e as pernas do pedal.
  • Suicide no-hander: No momento do salto, além de tirar as mãos do guidão, o praticante leva seus braços para o lado, exercendo uma forte pressão sobre o corpo para que ele “pese para trás” em direção oposta ao movimento da bicicleta.
  • 720: dois movimentos de 360 graus em apenas um salto.

 

Podemos encontrar algumas variações entre os próprios truques, como, por exemplo, um ângulo de 360º acompanhado por um tailwhip em situações em que, aparentemente, só sairia o ângulo 360, e por aí vai.

 

 

*Outros truques Freestyle

Os truques a serem feitos no estilo Flatland sempre envolvem muito balanço, muito mais do que ficar com apenas uma roda da bicicleta no chão:

 

  • Wheelie ou Catwalk: O truque mais básico, que consiste em pedalar com a roda dianteira levada para o ar, graças à pressão feita pelo corpo.
  • Endo: Outro movimento básico em que o praticante usa o freio dianteiro para suspender as pernas e a roda traseira, movimentando a bicicleta dessa forma.
  • Manual: Um dos movimentos mais populares do BMX. A roda dianteira da bicicleta vai para o ar enquanto o praticante faz uma pressão sobre as mãos que seguram firmemente o guidão, movimentando a bicicleta dessa forma. É um movimento difícil de ser feito devido o equilíbrio a ser mantido na região frontal da bicicleta, suspensa, e na região traseira da mesma.
  • Pogo: A bicicleta fica na vertical, enquanto o praticante mantém o equilíbrio dando pequenos “saltos” com as pernas, que não saem da bicicleta.
  • Nose manual: Tem a mesma ideia do manual, mas a roda traseira fica no ar enquanto a dianteira está no chão.
  • Bunny hop: Um dos principais movimentos, ele é alcançado quando a bicicleta é leva para o ar até mais ou menos a altura do peito do praticante, sendo os saltos realizados sem que as pernas alcancem o chão.
  • Footjam: Com todo o corpo sobre a bicicleta, o praticante usa a pressão sobre a perna para “saltar” com a bicicleta sem levar os pés para o chão.
  • Hang-5: Com um pé fazendo pressão no chão para o impulso inicial de movimento (ficando suspensa depois que a bicicleta começa a andar), o praticante deixa uma roda da bicicleta suspensa enquanto a mantém em equilíbrio graças a pressão feita pelo seu corpo
  • Steamroller: Desafiador. O praticante fica diante da região frontal da bicicleta, em oposição ao guidão, e movimenta a bicicleta graças à pressão feita com uma das mãos mão no banco de assento enquanto o resto do corpo balanca para a frente.
  • Time machine (“Máquina do tempo): Um dos truques mais difíceis e emocionantes. O praticante, erguido, fica apoiado na bicicleta com apenas uma perna sobre uma das rodas, e então começa a balançar de forma que a bike a gire enquanto suas mãos mudam de posição no guidão e a perna livre faz movimentos diversos(apoiar-se na roda livre ou apenas se balança no ar).
  • Indian giver (“Doador Indiano”): Aqui é quando o praticante faz, de maneira voluntária ou não, com que a bicicleta gire de maneira oposta ao eixo de rotatória de suas rodas.

 

É isso! Isso são apenas o básico de um esporte que flerta com a arte e que, portanto, está envolto de complexidades que devem ser exploradas aos poucos.

 

 

 

 

 


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